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Sexta, 17 de setembro de 2021
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Amigos ecológicos (da onça) querem Mendanha candidato para levar peia, ficar sem cargo e amputar uma bela carreira

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Estamos em 2 de abril de 2022 e ontem Gustavo Mendanha entregou o cargo de prefeito de Aparecida para Vilmar Mariano. Amanhã será a reedição do Domingo na Praça, com lideranças se manifestando em favor da reeleição do governador Ronaldo Caiado. Vilmar está na agenda, assim como os demais 27 prefeitos do MDB. Assim, seguem a orientação partidária. Mendanha está filiado ao MaMaDa, a sigla de Mabel, Marconi e Darrot.

Há menos de 24 horas, ainda se questionava acerca da decisão de Mendanha.

Vai mesmo abandonar quase 700 mil aparecidenses para se aventurar na MaMaDa?

Uns o chamam de muito corajoso por desafiar os antigos companheiros, outros o tacham de muito covarde por... desafiar os antigos companheiros.

Os pais de Gustavo, Léo Mendanha (biológico) e Maguito Vilela (executivo), partiram vítimas de Covid. Seu irmão postiço, Daniel Vilela, filho de Maguito, é candidato a vice na chapa favorita, a de Ronaldo Caiado.

Entre o irmão, os companheiros e as cascavéis, Gustavo ouviu apenas os chocalhos.

Além dos 27 prefeitos, acompanham Daniel o irismo, o maguitismo e a modebraiada geral.

Em tese, mas sem tesão, juram de dedos cruzados que estão com Mendanha meia dúzia de zé-ruela e a Estância M&M, o doce em que se unta o biscoito e a rosquinha de coco.

Marconi Perillo e Sandro Mabel são pré-candidatos a deputado federal.

Magda Mofatto? Foi caçar o Lázaro e não voltou para a chapa de Mendanha.

E o PT? Lula anda o tempo todo mamado, mas não quis nem conversa com o MaMaDa.

Cadê os antigos marconistas? Quem não tomou cana, tomou Doril.

O PSD de Vilmar Rocha rejeitou colocar na estância o 4º M, de Henrique Meirelles.

O Republicanos também levou o M de Macedo para Ronaldo Caiado e Rogério Cruz se redimiu, pois coordena a campanha grudado em Daniel.

Alexandre Baldy planeja ser eleito senador e saltou de banda com o Progressista.

Mendanha está ali sentado no meio-fio, à sombra da árvore sem folhas, com quebra-galhos. Rodeiam-no dois presidentes de partidos nanicos e alguns pré-candidatos a deputado. Parecem nervosos com o governadoriável. Ouvimos daqui as cobranças. Querem o de sempre (“Cadê estrutura?”, ou seja, dinheiro aos montes) e mais um pouco: integrantes. Juntando todos, os pretendentes à Câmara e à Assembleia cabem numa van. Sobrou quase ninguém com Gustavo.

Deixei de apoiar Daniel e estou na campanha de Mendanha. Lembra que éramos só eu, eu mesmo e Irene ao lado de Daniel? Pois é, restamos eu e eu mesmo: Irene ri na música de Caetano, pois aqui só havia motivo para choro e ranger de dentes. Achei que jamais Gustavo e Daniel disputariam em polos opostos. Apostei com Célio Jubinha uma estadia na pousada do Freud de Melo. Perdi. Antes isso: e o vereador que optou por apostar a outra atração do Freud... É, vai dormir no túmulo do samba mais possível novo invasor zumbi, porque Freud não explica, mas seu xará reservou confortável lugar na cidade do pé-junto exatamente para fugir dela.

Aliás, o deputado professor Alcides Ribeiro levou a Câmara de Aparecida inteira para seus aliados a governador e senador – e nenhum tem nem carro GM.

Ao contrário desses que ensebaram as canelas para fugir de Mendanha, eu e o jornalista Ozeias Laurentino estamos aqui, segurando o boi pelo chifre. Tadinho do animal (refiro-me ao gado vacum), mais magro que o Caetano quando fez Irene dar sua risada. Têm de segregá-lo, antes que se vá para o pasto do 25, verde tipo as esmeraldas da Campos Verdes de Haroldo Naves e da Terezinha de Marcos Cabral.

O publicitário Célio Jubinha estava aqui até agorinha mesmo, mas Marconi o chamou pra conversar. Sei não... Aliás, sei, sim: Jubinha resistiu e não vai trair Mendanha, senão o boi iria com a corda.

Nosso governadoriável se levantou. Está cansado de bater boca com extorsionários de partidecos.

Até ontem, era o prefeito da melhor cidade brasileira com menos de 1 milhão de habitantes. Ele e Maguito a tornaram digna de títulos assim.

Hoje, é apenas alguém consciente o bastante para saber que fez uma cadaga.

Perdeu a cadeira doada pelo povo.

Perdeu o amigo-irmão Daniel.

Perdeu 90% das lideranças que o levaram a 96% dos votos.

Lamenta ter deixado dinheiro em caixa para Vilmar desfilar entre obras. Não irá às inaugurações – nada a ver com a legislação: quem o impede é a falta de convite.

No distante 25 de agosto de 2021, Gustavo deu entrevista para o jornal goiano O Popular. Referiu-se a Daniel como personagem distante. Ai, ai, ai, ui, ui, foi aí que começou o #jáfui. Na maioria das oportunidades, recusou-se a pronunciar o nome de seu irmão. Chamava-o de “ele”. Não, Gustavo, não era “ele”, era o Daniel, nosso amigo, filho do Maguito, o cara gente boa que o inventou como prefeito.

Duas páginas que consolidaram a dissensão.

Tudo por causa de nada. De caras que não valem nada. Gustavo cercou-se de sujeitos cujos predicados desconhecia – se eles os tivessem. Se vale ou se não vale, Paulo Cezar Martins chegou e Gustavo não sabia nem se tinha menos coisa dentro da cabeça do que fora. Martins peitou Daniel no diretório. Em vez de optar por Daniel, Gustavo encarapitou-se com mais um M na estância.

Foi se enredando com estranhos até resultar naquilo ali que está na calçada... Não, não é o cocô de cachorro em que o presidente do partideco acaba de pisar... É algo mais fétido: o assédio dos bandidos ao que resta de paciência em Gustavo.

A gente que gosta dele se pergunta: como foi cair nessa?

Pensava mesmo em retribuição dos visitantes de seus projetos?

O prefeito de Cafundó do Brejo e o secretário de Nepotismo de Fundão do Curupu viram a Cidade Inteligente e não são burros de ficarem fora da nossa aliança...

Todos vazaram que nem a gás em promoção.

Sem traquejo com supostos líderes de corrutelas, Gustavo gastou tempo e dinheiro no Tour do Touro, aquele que ingenuamente espeta o pano vermelho. Cada cidade era uma facada. O fio do corte o acostumou a ser estripado. As andanças apresentaram a Gustavo os marginais da política. Nunca imaginou que houvesse algo mais danoso para a democracia que suplente de vereador da Grande Goiânia – somente o menino de Aparecida ignorava que não se faz omelete sem quebrar os próprios ovos.

Tudo isso acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos-correios, que aguardam uma resposta: vamos continuar com nosso chefe?

Eu vou. E você, Laurentino? Confirmou que sim. Prometemos ir com Gustavo até o fim. Só que o fim já chegou. Ou não é o fim da picada estarmos os três aqui, eu, você e o Zuboomafoo, literalmente na sarjeta?

Gustavo não pode nos acudir, pois é tão liso monetariamente quanto qualquer pobretão. Ao contrário de seus parças recém-chegados.

Entre subvenções, imensos terrenos de graça, incentivos e licitações para merenda escolar, Mabel chegou ao bilhão.

Marconi subiu como um foguete, explodiu lá em cima e caiu no vil metal.

Jânio Darrot prefeitou Trindade, fez o sucessor, esteve com Marconi no caso do padre Robson Oliveira e escapou fedendo, que é melhor que morrer cheiroso.

Merecidamente, Darrot ficou rico sem roubar. Na política, andou pelo vale da sombra da morte e se livrou do partido da peste perniciosa. Se pensar direitinho, o MaMaDa vai ficar sem Da.

Gustavo tem nada a ver com seus neoamigos. Sobretudo, quanto à probidade. Uns se especializaram em afanar sem deixar vestígios. Outros acham que vergonhoso não é roubar, é subtrair coisa alheia móvel e não conseguir carregar. Mendanha mantém honrados o nome de Léo e a tradição de Maguito: outros defeitos, talvez; ladrão, nunca.

Estava em seu direito de ficar com raiva dos caiadistas que o xingaram. Montaram um jornal diário em sua cidade com o único fito de o criticar. Tá. E o que Daniel tem a ver com isso? Nadica de nada.

Sua maior dúvida era quanto à firmeza da proposta de Ronaldo Caiado ao MDB. Gustavo jurava que Caiado faria de Daniel um Thiago Peixoto, o homem que virou suco nas mãos de Marconi. Thiago era jovem e promissor (igual a Daniel). Filho de político expressivo (igual a Daniel). Um belo dia, foi seduzido pelo governador que tanto combateu (igual a Daniel).

Inconfundível:

Daniel recusou cargos no governo, 1ª coisa que Thiago topou (aliás, só virou a casaca por causa da Secretaria de Educação – onde, aliás, revelou-se excelente gestor e no ano passado matriculou-se em Harvard para aprimorar suas qualidades). Daniel permaneceu no MDB, útero também de Thiago, que se desfiliou e entrou em sigla do colo do governador.

Ou seja:

Gustavo equivocou-se na avaliação: era ele o Thiago Peixoto, não Daniel. Aliás, o canto em que caiu foi da mesma sereia que encantou o herdeiro do ministro Flávio Peixoto, não o de Maguito.

Enquanto Gustavo chamava Daniel de Thiago Peixoto, sem reconhecer-se como tal, seus espelhos quebravam a cara.

O mais recente deles, Antônio Gomide, era ídolo no PT nacional graças às bem-sucedidas gestões em Anápolis, tinha o governo federal ao alcance das pretensões, renunciou ao mandato e... perdeu para governador.

Nas eleições seguintes, idem e ibidem: Gomide perdeu reeleição de João Gomes e, em 2020, teve a pele esfolada por Roberto Naves.

Gustavo sabe que errou. Mas está numa esquina da vida. Insistindo com a candidatura natimorta, é garantida a surra nestas eleições e incerta a ressurreição nas próximas. Marconi e Mabel já viram que não vai deslanchar e sumiram. Gustavo liga para fazerem eventos em conjunto. Não atendem nem retornam. A foto deles sumiu do Whats do Gustavo: significa que o excluíram. Caiado içou Daniel da cova dos leões, mas o fosso não ficou sem carne fresca: esses aí atraíram o nosso líder.

Não foi falta de avisar. Alertamos quanto aos amigos ecológicos, que entre Gustavo e a onça preferem-na devorando-o. E outra fera se aproxima: a solidão. Dizem que a solidão do poder é terrível – quem fala isso nunca esteve no poder ou ainda não saiu dele. Solitário é o nick do Gustavo. Olha lá... Cadê o Mabel para negociar com esses pré-candidatos a deputado? Cadê o Marconi para articular com os partidos nanicos? Cadê o Martins?

Eita!, se arrependimento matasse o Gustavo iria passar a noite na pousada do Freud e o dia seguinte vendo a luz no fim do túmulo feito para imortais.

O mandato de prefeito é apenas um retrato na parede com o TRE informando a inigualável votação das urnas de 2020. O talento de Carlos Drummond descreveria como dói ver pessoa tão boa amputar tão bela carreira sem desviar nada – nem das pedras no meio do caminho.