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Sexta, 17 de setembro de 2021
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MDB resumido: Iris de qualquer jeito é Caiado, Mendanha de qualquer jeito é contra e Daniel largado de qualquer jeito

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Antes de analisar a situação do MDB, conversemos sobre o sujeito que tenta salvá-lo: Ronaldo Caiado.

A chegada de Caiado ao Poder Executivo foi adiada em um quarto de século. Nesse período, revelou-se fundamental para mudar os grupos que estavam no poder na Prefeitura de Goiânia (1996) e no Governo de Goiás (1998). Nesse período, um de seus talentos foi mostrar à sociedade quadros políticos antes restritos a frações de mercado, seja um hospital, um escritório de advocacia etc. Caiado os desenfurnou, candidatou-os a prefeituras, Legislativos, diretórios de partidos. Agora que aportou, por mérito, no cargo almejado desde os tempos de república em Belo Horizonte, a habilidade se refinou.

Para ficar na contemporaneidade, sua primeira grande conquista para alcançar o 10º do Papelute foi Wilder Morais. Então senador, Morais compôs a chapa junto com um vereador, Jorge Kajuru, ao lado de outra grande novidade que Caiado catapultou, o deputado estadual Lincoln Tejota. KLM era um trio de estreantes em mandatos. Com eles, Caiado trouxe para a Assembleia e levou ao Congresso diversas outras caras novas. Já no governo, várias se reaproximaram, como Tales Barreto, Tião Caroço, Chiquinho Oliveira, Carlão de Goianira, Naçoitan de Iporá e o destaque para Lissauer Vieira.

Façamos a soma: Lincoln, Wilder Morais, Lissauer e tantos outros deputados, Carlão e tantos outros prefeitos, Iris Rezende e tantos outros ex-prefeitos, Chiquinho Oliveira e tantos outros caiadistas que retornaram, por que só serve para vice e senador alguém do MDB?

Ué, e os líderes que o MDB rifou pelo grave motivo de em 2017 e 2018 terem o reconhecimento histórico de que Caiado era o melhor para Goiás?

Adib Elias, o tocador de obras do Sudeste do Estado, passou muitas e más por apoiar Ronaldo Caiado e agora o lembrado para senador e vice é justamente o Daniel Vilela, seu adversário interno. E olhe que as realizações de Adib e Caiado em Catalão se impõem como cartão de visitas no Estado.

Renato de Castro teve larga aprovação em Goianésia, oriunda de grande gestão, interrompida por uma cacetada na fronte. Agora, vai para deputado estadual e seus santinhos terão a foto do sujeito que o acertou com o porrete, pois pode ser de Daniel uma vaga na majoritária.

A Rio Verde gerenciada por Paulo do Vale pode não compor a chapa estadual com Lissauer, pois já se acerta com Daniel Vilela, lá de Jataí, e ele vai integrar. Paulo é aquele extirpado do MDB como se fosse uma ferida, mas tem de esquecer o onte, o ontonte e o tresontonte, pois quem gosta de Agudo é o Monte.

Ernesto Roller foi mantido no 6º andar fumando mais que tiradô de isprito, brigando com o Tião Caroço e com mais meio mundo, desde que não brigasse com quem o nocauteou numa briga no MDB – ele mesmo, Daniel The Spiderman Vilela. O motor do MDB está fumando mais que Roller, vai fundir, mas partido que nasce torto nunca se endireita, menino que requebra a mãe pega na cabeça, segure o tchan, amarre o tchan, segure o tchan, tchan, tchan, tchan, tchan.

Fausto Mariano que sossegue o facho aí em Turvânia: tormento pouco é bobagem. Esquartejado moralmente pelo MDB, ouviu cobras e lagartixas, mas tem de acalmar esse coração peludo e fazer campanha pra Daniel senador ou vice de Santa Bárbara ao São Luís de Montes Belos – a GO é contigo, senão vira Fausto de Goethe.

Wilder foi grande parceiro em 2018. Mesmo vítima de campanha sórdida, feita prostitutos de pesquisa que o apontavam com 1%, teve 800 mil votos para senador. Em 2020, era pré-candidato a prefeito de Goiânia e o grupo de Caiado necessitou novamente de sua colaboração. Não precisou insistir muito: bastou meia frase do governador antes de ele sorrir e concordar, mesmo que a frase fosse “preciso de você como vice do Vanderlan Cardoso”. Agora, não há cadeira de senador pra Wilder, porque, se Daniel não quiser ser vice, a única vaga em disputa será para ele. Só lembrando que Wilder enviou verbas para os 246 municípios goianos e, mesmo depois de 31 meses fora do Senado, continua entregando benefícios – foram mais de 80 cidades atendidas depois de ficar sem mandato. Ou seja, Wilder faz falta no Senado. E se voltar vai fazer até pênalti.

Lincoln Tejota é o vice ideal. Tarefa que Caiado lhe atribui é como súmula vinculante: tem repercussão geral. Lincoln obedece. Caiado não pode ir a tal evento? Lincoln lá estará e seu discurso será inteiramente dedicado ao governador. Caiado vai a tal evento? Pode procurar na foto: Lincoln está ao lado alegre e entusiasmado. Além disso, Lincoln saiu das urnas de 2020 com triunfos em quatro dezenas de municípios. Alguns deputados estaduais estão com ele e não abrem. Num paralelo entre Lincoln e Daniel, dá-se evidente paradoxo: Lincoln se parece mais com Maguito e Daniel, com Sebastião Tejota, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e conselheiro também do filho vice-governador. Daniel, por sua vez, cresceu com perfil semelhante de Sebastião. Responda quem o conhece: Sebastião teria paciência de ficar durante sete anos e três meses num gabinete sendo segundo de alguém? Nem aqui nem no Peixe, nem aqui nem no Jaú, nem aqui nem no Crixá Véi. Mesma coisa com Daniel.

Se hoje Caiado está reeleito, deve-se em boa medida à capacidade de absorção de golpes do queixo de Lissauer Veira. O curioso caso de Lissauer Vieira é exatamente o oposto de Benjamin Button: agiganta-se a cada dia. Elegeu-se presidente da Assembleia, à época um cargo equiparável ao de gerente de limpa-fossas. Tirou os detritos. Transformou um Podre num Poder. Parceiro do governo nas gargalhadas e nas lágrimas. Na solidão que só as votações impopulares para determinada categoria provocam, Lissauer ficou com o governador. Se Caiado obtivesse um só voto, seria o de Lissauer. Teve a maioria. Em todas as sessões. Mesmo que Lissauer sequer precisasse votar. Em sua base, Rio Verde, o MDB de Daniel não se mistura com o caiadismo de Lissauer. Como ficará Lissauer se Daniel for o vice na reeleição por tantos dias e em tantas bases trabalhada pelo presidente da Assembleia?

Tanta gente querendo, tanto sapo cantando, tanto pequi roído em vez de unhas, tudo isso por causa de uma só pessoa: Daniel Vilela. Merece tamanha deferência? Merece. É um bom político, honra as melhores tradições do sobrenome, corresponde ao que se espera do herdeiro de Maguito Vilela. Rende numa composição? Sim, claro. Leva o tempo de TV e o fundo partidário do MDB? Leva. Leva o eleitor do MDB? Ó, aí já num sei, não, siô. Samodequê?

Os dois campeões de votos do MDB atualmente são Maguito Vilela e Gustavo Mendanha, eleitos em Goiânia e Aparecida. Iris Rezende também? Óbvio, mas a referência é a 2020. Infelizmente, eventual apoio de Daniel a Caiado não contará mais com os dois: Maguito agora é só saudade para os que o admiravam (é o caso deste que vos escreve) e Mendanha está em outra vibe.

Iris vai apoiar a reeleição de Caiado, retribuindo diversos presentes: Caiado apoiou Iris para prefeito em 2004, decisivo no 2º turno, na única eleição em que poderia ter sido enterrado – vinha de derrotas para governador em 1998 e senador em 2002, era ganhar ou vencer. Caiado ficou sem candidato a governador em 2010, representando uma força para o antimarconismo. E, em 2014, Caiado foi o braço forte de Iris em todo o Estado. Na maior entrega que já se viu algum personagem dessa expressão fazer por outro, Caiado, recém-eleito senador, prometeu se licenciar do mandato para ser secretário de Segurança Pública caso Goiás retornasse Iris ao governo. Em 2016, a dedicação de Caiado a Iris chegou ao apogeu: Iris anunciara aposentadoria, não se sabe se pra valer ou de mentirinha, e se enfurnara numa fazenda no Mato Grosso. No ano anterior, havia sido aprovada no Congresso Nacional a desaposentadoria. Caiado foi lá no Cocalinho, desaposentou Iris, arrastou-o (nem gastou músculo, já que...) para a campanha e deu-se o grande mandato dele na prefeitura. Então, apoiar a reeleição de Caiado é gratidão.

Se Iris já está com Caiado e Mendanha já está contra Caiado, sobra a Daniel a sigla que Caiado quer, além do respeito pela herança política do pai.

Voltemos aos quadros revelados por Ronaldo Caiado.

Lincoln, Lissauer e Wilder pretendem acompanhar o governador. Ótimo para eles. Tá, mas compondo a chapa. São menores que Daniel? Representam menos que Daniel? Aglutinam menos que Daniel?

Exercício de futurologia. Daniel é eleito vice de Caiado e assume o governo em abril de 2026. Uma nova geração de políticos chega ao poder. Eita!, então, o tempo de Caiado no governo durou apenas o período em que esteve no cargo. Daniel é a volta do MDB, não a continuação de Caiado. A turma é outra. Será candidato à reeleição com os danielistas na algibeira.

Como ficarão Lincoln, Lissauer, Wilder, Alexandre Baldy, João Campos, Delegado Waldir, José Mário Schreiner, Zacharias Calil e outros mencionados para posições majoritárias? São todos piores que Daniel?

Nessa aptidão para desenhar conjuntura, como seria Caiado sem Daniel? Uai, como sempre. Como seria Daniel sem Caiado? A volta de um deputado federal e a reeleição de um governador.

Em comum, Daniel e Caiado têm uma sina: são vítimas constantes de traições, de lambaris macérrimos a tucunarés robustos. A mais recente sofrida por Daniel é a maior de todos os tempos em Goiás: foi defenestrado da Prefeitura de Goiânia. Onde algum chegado seu pisou, o chão foi salgado.

Ao abrir espaço para Daniel na chapa, como vice ou senador, Caiado estará consciente de que seu tempo no governo sai da escada que sobe despregando os degraus e entra no elevador que desce. Daí a 40 meses, o MDB raiz vai substituir o DEM raiz, será o PSD no lugar da UDN, o PMDB suplantando o PDS. Onde algum caiadista pisou, o chão será salgado. Detalhe: não é porque Daniel seja traíra como os vagabundos que o sacanearam – é porque política sempre foi assim. Independe de Daniel. É o jogo. MDB de um lado, DEM do outro. Água e Óleo. Fla x Flu. Vila x Goiás.

Até há alguns meses, fazia sentido atrair Daniel para a chapa de Ronaldo Caiado. Ainda faz. Só que fazia muuuuuuuuuito sentido. Hoje, nem tanto. Amanhã, pode ser que volte a ser muito e pode nada significar. Fiquemos com o retrato deste agosto de bom gosto: Caiado já não precisa de Daniel para ser reeleito, pois já conta com boa parte do MDB, inclusive parte da boa de voto.

Desconte-se que prefeito, em regra, é bicho vira-folha. Tire o exagero de TODOS do MDB estarem com Caiado, à exceção de Mendanha – mais votado que os demais juntos. Caiado ganhou para senador e governador contando com raríssimos prefeitos. Calculou? Abateu? Pois é: nem com prefeito Daniel conta. Vereadores fiéis a Daniel? Cabem no helicóptero da Magda Mofatto indo atrás do Lázaro. Quem é o staff de Daniel? Você colocaria o emoji levantando o braço? Pus o meu. Mas, até agora, só eu, eu mesmo e Irene.